Podium, suor e lágrimas

O piloto brasileiro Fernando Dias Ribeiro conquistou um sofrido pódium ao terminar em segundo lugar na 9ª etapa da Fórmula Russell. A prova foi marcada pela diferença de performance entre os carros, o que provocou uma disputa desigual pela primeira posição, uma vez que o carro #17 do pole position Chuck Hulse era pelo menos 1 segundo mais rápido que todos os outros, exceto o segundo colocado no grid, Fernando Dias Ribeiro, que ficou “apenas” meio segundo atrás.

A posição do brasileiro não era tão desconfortável como a dos demais concorrentes, pelo menos até a realização das tomadas de tempos dos outros grupos, ocasião em que 3 carros foram danificados em acidentes, sendo o primeiro deles o de Fernando. No momento da largada do grupo “A”, a situação constrangedora, quando o piloto de Brasília é preterido na ordem de distribuição dos reservas, sendo obrigado a disputar a prova com o último carro disponível, bem mais lento do que o utilizado na tomada.

Apesar dos problemas, Fernando consegue uma excelente largada e pula na frente aproveitando-se de uma “cochilada” de Chuck Hulse, mas o americano acelera o seu foguete e retoma a primeira posição na subida da curva 1. Consciente de que a única chance de continuar vivo na disputa, pelo menos pelo segundo lugar, seria manter contato com o pole-position, Fernando facilita a ultrapassagem do americano, encaixando-se logo atrás e protegendo a segunda posição. Auxiliado pelo vácuo do líder, o piloto do Distrito Federal consegue ficar junto por 5 voltas, o suficiente para ser “ puxado” para longe do pelotão que vinha atrás liderado por Steve Hill. Por toda a prova os dois pilotos jogam uma verdadeira partida de xadrez, onde cada centímetro da pista era colecionado a peso de ouro, até que na última volta o americano consegue distancia de vácuo, mas ai já não havia mais tempo para um ataque e Fernando cruza em segundo lugar em prova vencida com muita facilidade por Chuck Hulse. Dane Cameron, até então líder isolado do campeonato não marcou pontos, por ter se envolvido em um acidente durante a disputa.

Mas se houve satisfação pelo excelente resultado obtido no dia anterior, que colocava Fernando novamente na briga direta pelo íitulo, o mesmo não se pode dizer da prova do dia seguinte, a 10ª etapa, onde o brasileiro experimentou em dose dupla o gosto amargo do desfavorecimento, agravado por uma injusta punição. No sorteio dos carros, nenhum dos pilotos foi agraciado com o #17, sabidamente o mais veloz, o que equilibraria a disputa da prova e por conseguinte do campeonato, mas o que parecia ser uma distribuição eqüitativa logo se transformou  numa discutível decisão, quando os carros de Dane Cameron e Steve Hill apresentaram problemas e foram substituídos respectivamente pelos carros #19 e #17, resultado: Dane Cameron foi o pole position, vencendo a prova de ponta a ponta com muita facilidade , com Steve Hill cruzando em segundo. Bem atrás do vencedor chegaram Jesus Vasquez, Fernando Ribeiro e Ed Caballero, que disputaram uma linda corrida, trocando de posições e fazendo o show do dia.

Satisfeito por ter conquistado uma honrada e suada 4ª posição, o que também atenuava toda a frustração de se sentir desfavorecido, Fernando recebeu outro duro golpe ao ver publicado o resultado da prova, onde constava um pênalti de 60 segundos, sob alegação de que tinha saído da pista com 3 ou 4 rodas durante a prova. De fato, na acirrada disputa pela terceira posição, o brasileiro, que vinha enfrentando problemas com a frente de seu Fórmula Russell na curva 10, foi forçado a fazer uma manobra de emergência colocando duas rodas na terra, o que é permitido pelo regulamento, conseguindo controlar o carro sem maiores problemas, inclusive não perdendo qualquer posição ou terreno significativo para com os outros concorrentes.

Consciente de que a decisão tomada pela direção da prova fora equivocada, Fernando redige um recurso técnico pedindo a revisão da decisão, argumentando que não seria possível colocar 3 ou 4 rodas fora da pista, numa curva de altíssima velocidade, sem sofrer serias conseqüências ou, no mínimo, perda substancial de tempo e posições. Diante do recurso o diretor de prova permaneceu inflexível, não aceitando qualquer argumento e selando a sorte do brasileiro, que caiu da 3ª para a 5ª colocação no campeonato.

A penalidade, somado a todo o stress dos acontecimentos e o desgaste da acirrada disputa foram demais para Fernando Dias Ribeiro que acabou vindo as lágrimas, sendo amparado por seu melhor Amigo e posteriormente por uma de suas filhas adolescentes, que procurou carinhosamente passagens bíblicas de encorajamento e consolo, trazendo a lembrança que, mesmo nas decepções desta vida Deus nunca abandona aqueles que Nele esperam e confiam.

USABR News / Julho 2005